Custo com burocracia recai sobre o consumidor

O preço dos imóveis está alto, mas você imagina o que pode estar colaborando para isso? A burocracia e os procedimentos regulatórios voltados para a construção civil são responsáveis por 12% do valor final  do imóvel. No caso de projetos de loteamento, esse índice chega a 31%. Quem paga a conta é o comprador.

"É importante ressaltar que esse custo recai não apenas sobre a indústria, mas, principalmente, sobre o consumidor", afirmou, em entrevista ao Broadcast, o vice-presidente da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), José Carlos Martins. Segundo ele, o encarecimento médio de 12% reflete diretamente no valor final do imóvel pago pelos proprietários.

De acordo com o estudo da  CBIC e da Associação Brasileira de Incorporadoras Imobiliárias (Abrainc), a lentidão dos processos no tempo de entrega dos empreendimentos tem dificultado muito. Um imóvel financiado pelo Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS) leva em média cinco anos para sair do papel, sendo que dois anos desse total referem-se ao tempo destinado à burocracia. "Além de reduzir os custos, com as propostas, o prazo para entrega dos imóveis cairia de 60 para 32 meses", diz Ventura.

Isso ocorre com construção de grande porte, shoppings centers e da casa da pessoa física.

De acordo com os estudos divulgados, os trâmites burocráticos chegam a representar R$ 18 bilhões de custo adicional para as construtoras, por ano, totalizando mais de R$ 100 bilhões, em cinco anos.

"É considerado nesse levantamento, o excesso nos processos de burocracia; aquilo que seria desnecessário. Em teoria, é possível reduzir os 12% a zero", explicou o diretor da Abrainc, Renato Ventura.

Em caso de ocorrer uma redução burocrática, enfrentada pelo setor de construção civil, os compradores seriam beneficiados integralmente. "Pelo grau de concorrência que o setor tem, tudo que for ganho será repassado para o consumidor final", disse Martins.

Para todos os empreendimento, o licenciamento dos empreendimentos foi um dos processos mais prejudiciais ao setor. Os principais entraves estão entre a regulamentação de origem municipal, estadual e federal.

Mão de obra e material eram um impasse para o desenvolvimento do setor da construção civil, nos anos 2000. Isso tudo foi solucionado, no entanto a burocracia manteve-se, impactando o mercado, considera o estudo.

Responderam ao estudo realizado pela consultoria Booz & Company, construtoras, associações e sindicatos do segmento. Esse levantamento deverá apontar as barreiras regulatórias e burocráticas ao desenvolvimento do setor imobiliário e servir como referência, para a busca de soluções. O documento será encaminhado ao Governo Federal.

 

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