Aquelas inúmeras visitas até encontrar o apartamento ideal podem estar com os dias contados. Imobiliárias e construtoras já começam a usar óculos de realidade virtual que permitem a imersão em 3D, dentro do imóvel.

Uma reportagem publicada no jornal americano "New York Times" mostrou que as imobiliárias Halstead Property, Greenland Forest City e Douglas Elliman Real Estate, presente em várias cidades dos Estados Unidos, vão introduzir em larga escala a ferramenta em seus escritórios ainda neste ano.

A ideia não é abolir as visitas presenciais, mas permitir que o cliente possa conhecer dezenas de opções sem precisar se deslocar até cada uma delas. Além disso, imóveis ainda em construção podem ser visualizados antes do lançamento, em perspectivas tridimensionais.

Os óculos de realidade virtual mais usados são os da marca Rift, empresa que foi adquirida pelo Facebook em 2014. Quando o cliente coloca o equipamento, vê uma planta do imóvel em 3D, e consegue, por meio de controle remoto ou sensores, "andar" dentro do imóvel. Novos aparelhos, como o Gear VR, da Samsung, já são usado no mercado americano. Por aqui, há experiências com o óculos da Rfit, mas ainda em baixa escala.

A agência de publicidade PlanB, por exemplo, criou em 2014 um voo simulado de balão em que era possível ver a área externa do empreendimento Reservas do Bosque, em Belo Horizonte.

No segundo semestre de 2015, a construtora Gafisa colocou à disposição dos clientes óculos Rift nos estandes de dois empreendimentos, ambos em São Paulo. "São inúmeras vantagens: é mais fácil de viabilizar, tem melhor custo benefício, pode-se usar sempre e não é preciso demoliir o estande depois", diz Octávio Flores, diretor de negócios da Gafisa.

Guilherme Reis, gestor de projetos da Eagle Soluções Integradas, empresa mineira que desenvolve os ambientes virtuais para o óculos, estima uma economia de até 35% em comparação com montagem de um estade decorado. No custo final, está incluído o aluguel do óculos, que ainda é importado – em março o Rift passa a ser vendido no Brasil por R$ 2.400 – e o projeto com as plantas em 3D.

Apesar de ser mais barato, a adesão ainda é baixa no Brasil, segundo especialistas. "É normal o receio em investimentos diferentes em época de crise, mas a tendência é que esse tipo de tecnologia fique mais comum", diz Lucas Vargas, executivo-chefe do portal VivaReal.

Drones – Além dos óculos de realidade virtual, outras tecnologias já começam a chegar aos estandes e sites de imobiliárias e construtoras. O uso de drones para captar imagens do canteiro de obras é uma delas. No vídeo, é possível simular o caminho que o cliente fará para chegar no local e até a vista da janela do futuro imóvel. "Antes, esse tipo de imagem era feita de helicóptero. Reduzimos o custo em até cinco vezes", diz Paulo Cesar Lopes, da DroneSP, no ramo desde 2013.

Outra tecnologia já em uso é o escaneamento de imagens tridimensionais a partir do Kinect – sensor de movimentos do videogame Xbox. O resultado é compartilhado na internet, e os internautas podem caminhar, com a ajuda do mouse, pelos ambientes do imóvel. "Em uma hora você consegue ver cerca de dez apartamentos", afirma Francisco Toledo, da iTeleport.