O aperto no crédito dos bancos públicos deve estimular o interesse pelo crédito habitacional dos bancos privados, ao menos no curto prazo. A Caixa estabeleceu no mês passado que imóveis de até R$ 750 mil no Distrito Federal, em São Paulo, no Rio de Janeiro e em Minas Gerais, e até R$ 650 mil no resto do país, só podem ser financiados com entrada de 50% no valor do imóvel. Imóveis acima desses valores, terão o percentual máximo de financiamento de 40%, o que significa que o contratante deverá desembolsar uma entrada de 60%. Já as taxas de juros para operações no SFH (Sistema Financeiro de Habitação), passaram a variar de 9% para 9,45%, após os ajustes. No SFI (Sistema de Financiamento Imobiliário), de 10,5% para 11% ao ano.

Apesar de as instituições privadas ainda oferecerem taxas de juros maiores que as da Caixa e do Banco do Brasil, elas podem facilitar as condições de financiamento dependendo do relacionamento com o cliente e do perfil de cada negócio. “Os bancos privados ainda não mexeram (nas taxas do crédito habitacional). Isso abre espaço para as pessoas procurarem. As taxas são maiores, mas quem é correntista pode obter uma condição melhor”, avalia o economista Gilberto Braga, professor de finanças da Faculdade de Ciências Sociais Aplicadas Ibmec, no Rio de Janeiro.

Tanto os bancos privados quanto o Banco do Brasil continuam financiando 80% do valor de imóveis novos ou usados, fator a desfavorecer a procura pela Caixa. “É difícil imaginar alguém juntar 50% ou 60% do valor de um imóvel. É muito puxado”, comenta Braga.“Principalmente essa condição de 50% [de entrada] para usados é muito difícil de ser atendida pelo consumidor”, corrobora Miguel Ribeiro de Oliveira, diretor executivo de Estudos e Pesquisas Econômicas da Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade (Anefac).

A Agência Brasil pesquisou as condições de financiamento em linhas análogas no Banco do Brasil, Bradesco, Santander e HSBC. No Banco do Brasil, são financiados até 80% do valor da unidade nova ou usada, e a taxa de juros máxima anual subirá de 9,9% para 10,4% ao ano a partir de 18 de maio. O Bradesco também financia até 80% de novos ou usados. Para os avaliados em até R$ 750 mil, as taxas de juros são a partir de 9,6% ao ano. Acima desse valor, os juros ficam em 10,3% ao ano.

O HSBC concede igualmente empréstimos de até 80% do valor do imóvel novo ou usado. O banco comunicou, por meio da assessoria de imprensa, que os juros do crédito habitacional são determinados caso a caso, segundo o relacionamento com o cliente. O Santander financia até 80% da unidade nova ou usada e, segundo a assessoria, cobra juros a partir de 9,6% ao ano. O site do banco informa taxas entre 10,8% e 11% para quem não tem relacionamento com a instituição e de 10,3% a 10,7% para quem recebe salário pelo Santander. A assessoria confirmou que os juros podem chegar a esses patamares.
 

Fonte: Valor Econômico